quarta-feira, 3 de abril de 2013




Um Dia com a Mãe Natureza

Passeando por um condomínio fechado no interior de SP, 
não pude deixar de fazer algumas observações; hábito desenvol-
vido para se compreender atitudes, pensamentos, emoções que 
podem gerar desequilíbrios; e, observando, me ocorreu o porque,  
uma pessoa foge da grande cidade reclamando do transito, 
da poluição, do barulho da violência e vai se instalar em um 
terreno em condomínio fechado ocupando toda área (neste local a
área mínima dos terrenos é de 600m2), derrubando tudo o que é 
verde para construir um caixote de cimento com muro para todos
 os lados e circula na área comum; cuja velocidade é de 40km; a 80 
com o som no ultimo volume rachando a caixa????? 
Gerando desequilíbrios para si mesmo, para a vizinhança e 
para a Natureza.

Este e outros comportamentos podem nos passar despercebidos, 
fazem parte de nossos hábitos, sejam eles mentais, emocionais ou 
físicos, repetimos o que estamos acostumados a fazer, 
não pensamos, não questionamos, e mal percebemos os 
inúmeros desequilíbrios que estes nos trazem, e muitas vezes
a reflexão vem tardiamente quando já estamos colhendo os
resultados danosos de nossos hábitos.

Alinhada a visão de Jan Gehl; um arquiteto dinamarques de 
75 anos, um dos grandes urbanistas da atualidade que tenta 
chamar atenção para a necessidade de uma arquitetura 
mais humana, voltada para a natureza; penso no tempo 
em que ainda será necessário para cair a era do 
deslumbramento das Megalopes, dos excessos, 
do exagero... para retrocedermos neste passo também; 
já estamos voltando a utilizar as garrafas retornáveis
 o carrinho de feira....hábitos que pelo menos comprometiam
 em menor escala o meio ambiente, não se trata de voltar
 a era das cavernas, mas sim de uma avaliação carinhosa
 e cuidadosa de comprometimento com aquela que nos acolhe.

Os frutos de nossas escolhas, podem nem sempre ser saborosos,
e aprendemos com novas doenças, doenças antigas retornan-
do, epidemias de surtados de toda natureza, psicopatas, neuróti-
cos, estressados dando tiro por nada, violência urbana e rural 
gratuita, aumento desenfreado da população, faz se necessária
e urgente uma avaliação responsável
 “  o antes  e depois dos projetos”.

Pertenço a uma geração que ainda teve o privilegio de conhecer 
lugares de grande beleza, de vegetação preservada, de silencio, de 
agua limpa e ar puro, tudo bem próximo de casa. Hoje para se 
encontrar estas condições, precisamos percorrer grandes distancias.
Tenho acompanhado pesquisas que mostram que a população; cada 
vez mais jovem; esta com problemas de surdez; trabalho desenvol-
vido pela UNIFESP demonstra que o barulho tem relação direta 
com a DOR, o ruído tem a capacidade de aumentar a sensibilidade
a Dor, estudo que corrobora o conhecimento Ayurveda.

Para se ter uma ideia, moro em um local onde o barulho de 
buzinas, transito de carro, alarmes contra roubo de carros 
e casas, são constantes 24h/dia, durmo com a luz da rua 
invadindo minha janela, o ar cheira a química, a agua da
torneira cheira a cloro.... so estes exemplos já são suficientes 
para gerar vários desequilíbrios em qualquer individuo, 
mas muitos nem percebem a interferência destes fatores, 
so observam e tratam, quando seu resultado se manifesta 
no físico, mas antes de sua instalação há um longo período,
 anos, de  desequilíbrios que muitas vezes é silencioso, 
se instala  em gotas; hoje uma dor de estomago, amanha
 um intestino preso, outro dia uma 
enxaqueca, insônia, azia,  gripes constantes e por ai vai,,,,. 
E um dia a criatura se dá conta: Não sei  porque, do nada 
me surgiu um ........(podemos dar nome a varias doenças)

Há apenas 12 anos atrás, Balneario Camboriu era um local de 
praias maravilhosas, hoje a competição de construtoras e seus 
Egos, disputam espaços cada vez menores para construir prédios 
que arranham o céu, ilustrando agora a paisagem com um 
verdadeiro muro de Berlim, que tapa o Sol e a visão de todo 
restante, tornando a cidade fria, com vento canalizado entre os 
prédios, onde a vista não mais alcança o horizonte, mas sim
a parede do prédio mais próximo, encurtando não so a visão, como
também a audição. A única vantagem que consigo pensar, é no caso de 
um Tsunami os prédios servirem de barreira.....rsrsrsr

Alguns já percebem a necessidade do retorno ao simples, do orgânico,
do integral, do transporte coletivo, da bicicleta, da economia energé-
tica, duvido ate que voltem as carroças, já que ; pelo menos em SP; não
se consegue andar mesmo a mais que 40km/hora. Ora porque não
se avaliou as consequências antes? Porque a ambição, de poder, de 
ganhos financeiros desmedidos, de vaidade, está em primeiro lugar, 
mas hoje sob o discurso de Sustentabilidade e Ecologicamente 
Correto, vejo alguns repensando posturas com seriedade
e responsabilidade e outros embarcando em mais uma onda por que 
“fica bem na foto”.

É possível reconhecer que estamos em processo de aprendizado,
de construção e que algumas escolhas foram mal sucedidas, não 
deram certo e outras trouxeram novas tecnologias e aprendizados, 
cabe  corrigir e descartar enquanto é tempo as experiências 
mal sucedidas, não apenas em relação a ecologia, mas em tudo na 
vida. Sou otimista por natureza e aposto no Ser Humano como 
uma invenção em construção, que estamos nos reinventando a cada 
dia,  procurando conforme cada qual seu entendimento; o melhor de 
nós; aquele que mais se aproxima de seu criador, para aqueles 
que acreditam que ele exista, apenas temos que fazer algumas 
correções antes de aprendermos com o Caos e estrangulamento da Natureza.

Minha pequena contribuição como Terapeuta Ayurveda é auxiliar
no conhecimento individual de como funciona sua 
constituição mantendo-se saudável,  em equilíbrio e lucido, de 
forma a permitir-lhe fazer escolhas mais equilibradas, 
responsáveis, utilizando o bom senso, diminuindo ou 
impedindo o consumo desenfreado, os desequilíbrios 
emocionais e mentais, o comportamento compulsivo.

Vejo algumas pessoas como um trem fora dos trilhos sem freio em
uma descida, e saber; ate por experiência própria; que 
basta a mudança para uma alimentação mais saudável, sentar
em silencio, fechar os olhos, respirar de forma profunda e lenta, 
pode mudar os rumos de nossas vidas e fazer toda a diferença. 
E não estou dizendo aqui, que já encontrei o mapa da mina, estou 
todos os dias me reinventando, para vir a me tornar
 “ Um Ser Humano” com toda sua grandeza

                                             Namastê 
         ( O Deus que há em mim, saúda o Deus que existe em Você)

                                               “Loka Samastha Sukino Bavanthu”
                  Que todos os seres em todos os lugares do Universo possam ser felizes.





                                                     

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Tempo de Amala - A Fruta do Rejuvenescimento

Amalaki ou Amala, na medicina ayurvedica é considera a melhor erva medicinal para o rejuvenescimento. Pode ser usado sozinho ou combinado com várias ervas como no caso o Chavan Prash (Nome do médico que desenvolveu a fórmula há milhares de anos), a mais famosa geléia ayurvédica, capaz de reverter o processo de envelhecimento.


No ayurveda as ervas são classificadas por seu sabor; esta frutinha possui cinco dos seis sabores básicos ( Doce, Amargo, Adstringente, Ácido, Picante, faltando-lhe apenas o sabor  Salgado).
Seu nome científico: Emblica officinalis, de aparência pequena, arredondada, verde com tons de amarelo ou marrom quando madura lembra uma Pitanga maior. Rica em Vitamina C; 20 vezes mais rica que a laranja; com apenas meia xícara de seu suco, obtém-se 1g de Vitamina C. Também estão presentes: Cálcio, ferro  vitaminas B, taninos e pectina.


Estudos em cobáias sugerem que o amalaki pode retardar o desenvolvimento e o crescimento de células cancerígenas além de diminuir número e tamanho de lesões causadas por metástese cancerígena. 
Sua natureza complexa, torna-a uma erva adequada aos três doshas. Para obter os efeitos rejuvenescedores, é necessário que se submeta a um processo de desintoxicação inicial, antes de tomá-la.


Outra área de grande interesse científico, é seu papel na redução dos níveis de colesterol sérico. Em uma pesquisa com coelhos, o amalaki reduziu os níveis de colesterol sérico em 80%. Esse efeito de baixar o colesterol é aplicável aos seres humanos. Outras pesquisas sugeriram que suplementos a base de  amalaki podem diminuir a oxidação prejudicial do colesterol nos homens. Também pode diminuir a aderência das plaquetas, diminuindo o risco de coagulação indesejada no sangue.


Ainda tem sido utilizado: para o tratamento da azia, doenças do fígado e do pâncreas.
As pesquisas demonstram que esta fruta realmente possui atividade antibiótica contra uma grande variedade de bactérias, o que possivelmente explicaria seu papel tradicional no tratamento de infecções pulmonares.


Como todas as ervas; existem precauções; para evitar efeitos indesejados,  procure saber mais com seu médico ou terapeuta ayurveda.
Fonte: O Guia Deepak Chopra de Ervas






Vejam Fotos da minha árvore com 9 aninhos

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Impermanência

Demissões, desastres naturais, rompimentos, doenças e quaisquer situações novas, geralmente nos causam apreensão e ansiedade, mas são excelentes no que tange a refletirmos nosso nível de apego; a pessoas, coisas, situações, hábitos, etc...
O yoga e outras filosofias nos alertam para a compreensão desta verdade, pois tudo na vida é transitório; o corpo muda, os pensamentos mudam constantemente, a natureza  se altera várias vezes em um único dia, e a grande maioria vive  com a sensação de final feliz, de que  é para sempre, então quando nossa rotina é abalada, somos pegos de surpresa e nos sentimos perdidos e despreparados para as situações novas.
O Ayurveda nos educa para a observação constante do dançar dos cinco elementos em nosso corpo e no meio em que estamos inseridos, sentindo sua alteração a cada alimento ingerido, a cada flutuação do pensamento, as instabilidades emocionais, as mudanças de estação e temperatura durante o dia; o tempo todo estamos sendo afetados e estamos afetando o meio em que vivemos.
A impermanência é mais comum do que a estabilidade, mas temos a falsa impressão de que algumas coisas devem se manter inalteradas e nos apegamos a elas,  sofrendo quando a mudança chega , ou nos mantendo acomodados em situações que já não trazem aprendizados novos, alegria de viver, entusiasmo, paixão, e a vida segue  apática.
O número de pessoas com depressão, embora os novos tempos tragam inúmeras facilidades; e talvez até por isso mesmo; atinge desde crianças a sexagenários em número crescente, muitos não conseguem  encarar a dor; como meu pai diz; olhar  o touro e agarrá-lo pelos chifres, ou arregassar as mangas e por a mão na massa, bater o pó da roupa levantar e recomeçar de cabeça erguida.... e tantas outras expressões que ouvi em minha infância de familiares que viveram tempos bem mais difíceis... observo que na sua maioria,  as pessoas buscam pílulas mágicas, soluções rápidas e prontas, sem o mínimo esforço.
Gosto de observar coisas e pessoas, e não raro presencio interlocutores onde um entusiasmado conta algum episódio enquanto o outro está olhando o recado no celular, mostra impaciência contando os minutos para que a história acabe, me parece que a velocidade do twitter é  transportada para as relações “in natura” , mas não para as mudanças consideradas em primeiro momento como desafios ou situações ruins.
A meu ver, falta um ingrediente nas relações; ou melhor alguns;  compaixão, aceitação, contentamento, verdadeiro conhecimento de quem somos, ocupa-se todo o tempo com barulho e atividade para não ouvir o que bate lá dentro, para evitar deparar-se com esse ser estranho que mora dentro de nós.
Quando passamos por uma situação difícil e simplesmente aceitamos, de forma lúcida nos abrindo para aprender e encarar o problema, um sentimento de paz e compreensão ocupa o lugar da apreensão e incerteza, transcendendo nossa compreensão imediata e racional, expandindo nossa consciência para percebermos a real dimensão da dificuldade,  e as vezes descobrir  que o problema não era o outro e sim nós. Espernear não vai solucionar o problema mais rápido.
Aqui em casa costumamos brincar quando um de nós passa por mudanças, vamos dizer assim; não desejadas: Perguntamos, Tá com raiva? Se pendura no lustre. É uma forma de chamar para a consciência o ridículo do comportamento impulsivo, aí respiramos fundo, damos uma gargalhada e tudo fica em paz novamente.


                                              Site desta imagem: bloggdoteosofista.blogspot.com

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Procura-se um Guru

Lembro-me que no inicio do meu aprendizado no Yoga, uma questão me incomodava muito, o fato de, no Ocidente a grande maioria dos estudantes de Yoga não ter acesso a um Guru, pois sempre que buscava estudo sério sobre o tema, havia alguma referência sobre a orientação de um Guru como instrutor, sobre o perigo de se fazer certas práticas sem orientação do mesmo; como é o caso dos  Pranayamas. Então pensava, se não puder ir à India, ou ter a sorte de ser encontrada e reconhecida por um Guru, minha prática reduzir-se-á aos  Asanas (posturas físicas).

Foi quando tivemos uma aula com Sri Krishna, yogue, médico neurologista indiano; ele ministrava uma aula de meditação; pensei comigo, é a hora de tirar minha dúvida....e perguntei: Como podemos aprender Yoga no Ocidente, se à maioria dos estudantes falta a orientação e condução de um Guru para nos guiar no caminho? O que podemos esperar desta prática?

E ele com simplicidade e humildade me respondeu, mas vocês têm muitos Gurus. E eu pensei cá comigo...onde???? E ele; penso, observando as interrogações em meu rosto explicou: (Não lembro suas palavras exatas, então vou sintetizar o ensinamento que me foi transmitido)

Olhe a sua volta, o que vê? O Yoga não é somente Asana, comece pelos Yamas(disciplina ética) e Nyamas(regras de conduta que se aplicam à disciplina individual)  estes aprendizados você colhe e desenvolve todos os dias interagindo, observando, refletindo, meditando. Ouça os pássaros, os barulhos, o silêncio, a respiração, observe as estações,  o que as pessoas dizem ou fazem, as batidas do seu coração, todos são seus Mestres.

E percebendo o quão era pequena minha compreensão do Yoga, fiquei quieta, e fiz deste ensinamento minha prática diária, e todos os dias aprendo e alargo minha compreensão da vida, buscando cada vez mais coerência no meu pensar, falar e agir, buscando a atitude humilde do não julgar, observando o fora e o dentro de mim.

E a vida tem me trazido desde então inúmeros Mestres e aprendizados, esta semana mesmo, conversando com minhas alunas, elas fizeram qualquer comentário a respeito do meu cabelo, e eu brincando respondi: Só mesmo aquela bicha louca pra fazer uma descendente de Indio pintar o cabelo de loiro.... e uma delas comentou, eles (os bichas) são muito bons com os cabelos. Na hora não percebi o absurdo do que havia falado, disse que gostava do meu cabelereiro porque ele é alegre, bem humorado, não gosta de fofocas, usando o termo “bicha louca” para expansivo, alegre, despojado....sem conotação com suas escolhas pessoais, e como se uma India também não pudesse desejar seus cabelos loiros!!! Tal qual uma criança repete o que ouve na TV, sem perceber fiz um comentário lamentável, que traduz preconceito, quando na verdade respeito as escolhas individuais de qualquer natureza, não sou uma pessoa preconceituosa, senti vergonha por me expressar de forma tão pouco carinhosa ou generosa,  estamos desatentos a certas situações que ocorrem ao nosso redor, entramos na energia que paira no ar, a linguagem ou pensamento corrente sem ao menos refletir o que faz sentido para nós. Assim como vejo pessoas vestindo couraças de felicidade, quando não o são, usando máscaras de educados, de espiritualizados, de cultos, como se fosse vergonhoso sentir dor, sofrer por algo, mostrar limitações, enganam a si mesmos, evitando o aprendizado maior através do viver.  Cada qual, a sua maneira, vive,  todos,  buscando a felicidade e paz interna.

A prática do Yoga nos conduz com mãos carinhosas e pacientes ao aprendizado longo do lapidar-se diariamente, ser simplesmente o que se é, sem rótulos ou etiquetas de Marca. Somos humanos, como crianças aprendendo a ser gente grande, falhamos, erramos, nos enganamos, mentimos, fazemos outros felizes ou não..., enfim é a vida, uns um pouco mais conscientes outros menos, e vamos indo.

Há um trecho em “A Luz da Yoga” de Iyengar muito bonito que fala sobre isso:
...O Yogue compreende que sua vida e todas as suas atividades são parte da ação divina sobre a natureza, manifestando-se e operando na forma humana. Na batida de seu pulso e no ritmo de sua respiração ele reconhece o fluxo das estações e o pulsar da vida universal. Seu corpo é um templo que abriga a Centelha Divina. Ele sente que neglicenciar ou negar as necessidades do corpo e pensar nele como algo não Divino é negligenciar e negar a vida universal da qual ele faz parte. As necessidades do corpo são as mesmas do espírito divino que vive através do corpo. O iogue não olha para o céu em busca de Deus, pois sabe que Ele está dentro de si mesmo.
....Para ele (o iogue), o corpo não é um obstáculo para sua libertação espiritual, nem a causa de sua queda, mas um instrumento de aperfeiçoamento.

Quando entendemos e conseguimos ver o  Divino em tudo, somos inundados de amorosidade e incapazes de ferir qualquer Ser, por pensamentos, palavras ou atos.

Na visão do yoga a vida é extremamente simples quando assumimos o que pensamos, falamos e fazemos (por pior que seja), mostramos apenas o que realmente somos...e o que não for adequado vamos aprendendo a lapidar e  educar de forma a nos tornamos mais amorosos, generosos e melhores.


                                                                          

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Emoções Destrutivas

É freqüente nos consultórios, queixas sobre as emoções sem controle que nos inquietam, perturbam e atrapalham nossas vidas; paixão, ansiedade, pânico, ciúme, raiva, pensamentos constantes, pensamentos negativos, e tantos outros, trazendo-nos doenças, encrencas, desequilíbrios de toda sorte. Em busca do alívio, alguns  me consultam sobre a utilização da meditação para a cura de seus males, e observo que a maioria trata a meditação como um remédio que se busca na farmácia, toma, e os sintomas somem dali a uma hora, normalmente não se imagina que meditação implica também em um estilo de vida, em mudanças de hábitos, principalmente hábitos do pensar...

Lembro-me de algumas frases de Richard Bach onde em um de seus livros ele sita:
“Para viveres livre e feliz deves sacrificar a rotina, mas isso quase nunca é um sacrifício fácil.”

“Valorize suas limitações e, por certo, não se livrará delas”.

Geralmente as pessoas se apegam a um modo de sentir, de pensar e não largam, seguram como se esse fosse o bem mais precioso que elas tem, e a mudanças às vezes ocorre temporariamente para depois retornarem ao mesmo padrão.

Em 2008, envolvida nos estudos da meditação em função de um TCC (Monografia de conclusão de um curso de  Pós graduação em Yoga), encontrei autores que diziam ser a meditação uma técnica de fácil aplicação, possível a todas as pessoas e outros que diziam ser a prática mais difícil, que pode exigir de você “vidas” de dedicação.

Dentre as muitas consultas que busquei, encontrei dois livros de caráter científico que podem nos ajudar a entender de fato como se processa a meditação e o empenho que precisamos dedicar para ter resultados duradouros:
“ Como Lidar com Emoções Destrutivas” de Daniel Goleman e Dalai Lama; e “Neurofisiologia da Meditação” de Marcelo Arias e Roberto Simões.  Ambos, fruto de pesquisas científicas sobre o resultado da meditação no cérebro.

Segundo Richard Davidson; um dos principais pioneiros das neurociências afetivas; defende a neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de se desenvolver durante toda a vida, apresentou dados indicativos de que a prática da meditação poderia gerar uma plasticidade benéfica nos centros afetivos do cérebro, inibindo as emoções destrutivas e ao mesmo tempo, incentivando as positivas.

A meditação como veículo de Educação Mental, visa compreender e eliminar emoções tais como medo, raiva e apego, emoções matriz responsáveis por gerar uma variedade de desejos  que mantém o ser humano preso a um ciclo repetitivo de comportamento que o impede de se libertar do sofrimento.

O quanto é fácil ou difícil se libertar deles? Ai está a questão; é o quanto você valoriza estes sentimentos que o mantém preso a eles....e não faz nada para mudar.
Daí a importância destes estudos que nos auxiliam a perceber que é possível estimular o funcionamento do cérebro em uma área mais construtiva e positiva, tornando presente em maior tempo sentimentos como contentamento, calma, compaixão, coragem...

A pesquisa demonstrou que quando ativamos uma área do cérebro identificada como giro mediano frontal esquerdo acionamos atividades cerebrais emocionais positivas, Richard Davidson descobriu que quando as pessoas têm níveis altos dessa atividade cerebral naquele local específico do córtex pré frontal esquerdo, relatam simultaneamente sensações como felicidade, entusiasmo, alegria, alta energia e estado de alerta e que níveis altos de atividades num local paralelo do outro lado do cérebro (área pré frontal direita) correspondem a relatos de emoções aflitivas, portanto mais propenso a tristeza, ansiedade e preocupação.

Para aqueles que estão se perguntando: Afinal posso ter maior controle de minhas emoções com a Meditação? As pesquisas mostram que sim, porém implica na adoção desta prática de forma disciplinada, como disse, não se compra em forma de pílulas em farmácia.

Existem variadas técnicas para meditação que vão da mais simples as mais complexas, de caráter transcendental ou simplesmente terapêutico, o fato é que meditação como parte integrada do Yoga ( que tbem tem sua comprovação científica por sua ação no sistema neurovegetativo parassimpático) ou prática isolada, têm comprovações científicas positivas de seus resultados.

Em uma sociedade onde o indivíduo mediano está voltado para a busca desenfreada de prazeres, infelizmente colhemos dados como os  da Organização Mundial da Saúde (OMS) que segundo seus relatórios informam que em 2000 (em todo o mundo) 815 mil pessoas se suicidaram (provavelmente porque seus desejos não foram satisfeitos, ou foram!) ou ainda segundo dados da OMS alerta que por volta de 2020 todas as pessoas do planeta apresentarão sobrepeso, em outras palavras estarão obesas ( em função de seus desejos satisfeitos, ou não?...)

Portanto ainda temos tempo para começar exercitar  nosso cérebro de uma forma mais positiva e construtiva na tentativa de corrigirmos as emoções que nos afetam.

Cada pessoa, todos os fatos de sua vida ali estão porque você os pôs ali. O que fazer com eles cabe a você resolver....

Só precisamos , deixar o campo das idéias e passar para o campo da iniciativa.